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quarta-feira, 17 de setembro de 2014

NÚCLEO DE CESSAÇÃO DO TABAGISMO ABRIRÁ DUAS NOVAS TURMAS

2º Centro Saúde - Projeto contra o Tabagismo.  Foto: Pei Fon/ Secom Maceió
O primeiro Núcleo de Cessação do Tabagismo de Maceió, ligado à Coordenação de Promoção em Educação e Saúde (Copes), da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), inaugurado em agosto, vai reunir na tarde do dia dia 23 de setembro um novo grupo de trinta novas pessoas interesadas em largar o vício do cigarro. Segundo a coordenadora do Núcleo, Gilda Teodósio, devido ao grande registro de procura serão abertas duas novas turmas com quinze integrantes cada. “Temos mais de oitenta pessoas inscritas para participar do programa, mas infelizmente não podemos atender a todos de uma única vez”, disse Teodósio. O núcleo funciona no II Centro de Saúde, na Praça da Maravilha, no Poço.
A unidade abriu inicialmente três turmas que funcionam na terça pela manhã, quarta à tarde, e quinta-feira à tarde. As reuniões duram cerca de uma hora. Inicialmente, os grupos têm reuniões mensais, que depois passam a ser quinzenais. A equipe multidisciplinar vai utilizar a metodologia preconizada pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca) do Ministério da Saúde (MS).
O método de estudo é baseado no conteúdo de quatro livretos lançados pelo Inca. O primeiro, ‘Entender por que se fuma e como isso afeta a saúde”; o segundo, “Os primeiros dias sem fumar”; o terceiro, “Como vencer os obstáculos para permanecer sem fumar”, e finalmente o quatro livreto, “Benefícios obtidos após parar de fumar”.
O grupo que atua com os interessados de largar o vício de fumar é multidisciplinar, reunindo fisioterapeutas, assistentes sociais, enfermeiros, psicólogos, nutricionistas, e médicos (que estão fazendo a capacitação para o trabalho específico).
Estímulos positivos
O folheto organizado pela equipe do núcleo elenca alguns benefícios para quem quer largar o vício do cigarro. Pesquisa já realizada pelo Inca aponta que após 20 minutos sem fumar, a pressão arterial e a pulsação volta ao normal (fumar acelera o coração e aumenta a pressão arterial), em apenas oito horas sem as substâncias nocivas do tabaco, o nível de oxigênio no sangue se normaliza. Em dois dias, a capacidade de sentir o cheiro das coisas e o sabor das comidas melhora.
Depois de duas semanas e até três meses sem cigarro, a circulação melhora, fica mais fácil caminhar e a função pulmonar aumenta. Depois de largar o vício por mais de cinco ou 15 anos o risco de infarto reduz ao nível das pessoas que nunca fumaram. Telefones de contato para os interessados em uma das vagas são: 3337-3519/ 3315-2641
Fonte:Ascom/SMS

SMS REFORÇA ESCLARECIMENTOS DO MINISTÉRIO DA SAÚDE SOBRE VACINA DO HPV

Vacinação_HPV3

Responsável pela realização da segunda etapa da vacinação de meninas na faixa etária de 11 a 13 anos contra o Papilomavírus Humano (HPV) em Maceió, o Programa de Imunização (PNI) do município vem reforçando, junto à população, os esclarecimentos feitos pelo Ministério da Saúde (MS) e pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, sobre os eventos adversos ocorridos após a aplicação da dose da vacina em adolescentes no município de Bertioga (SP), afastando a hipótese da suspensão da campanha em todo o país.

No início de setembro – quando começou a ser aplicada a segunda dose da vacina em todo o Brasil – 11 meninas que receberam a nova dose da vacina em escolas municipais de Bertioga apresentaram cefaleia, tontura, fraqueza e tremores. Encaminhadas ao pronto socorro, foram avaliadas, medicadas e tiveram alta. No dia 5 de setembro, retornaram ao atendimento com as mesmas queixas, ficando em observação. A maioria recebeu alta, mas duas delas informaram estar com dificuldade para andar. No dia 6, outra adolescente apresentou a mesma queixa. As três adolescentes já passaram por avaliação neurológica e não apresentaram alterações. Elas seguem internadas e devidamente monitoradas.

Diante da situação, o Ministério da Saúde vem procurando tranquilizar a população afirmando, na nota divulgada, que todas as vacinas utilizadas no Programa Nacional de Imunização (PNI) são seguras e passam por um rigoroso processo de controle de qualidade realizado pelo Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde/INCQS/Fiocruz. Todo e qualquer evento adverso que ocorra durante o uso de seus imunobiológicos são monitorados, de modo a detectar qualquer alteração de situações não observadas anteriormente nos estudos clínicos realizados para obtenção de registro das vacinas, visando garantir o perfil de segurança das mesmas.

Apesar de reconhecer que os eventos adversos ocorridos nessa etapa da campanha já foram observados na aplicação de outras vacinas injetáveis, a Coordenação Geral do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde credita este momento à hipótese diagnóstica de uma associação à ansiedade de receber uma injeção (reação de ansiedade após vacinação). Reforça, porém, que é fundamental garantir, com o esquema de vacinação estendido adotado , uma alta cobertura da segunda dose, para proporcionar a proteção necessária contra a infecção pelo vírus HPV, até que a adolescente receba a terceira dose, em cinco anos.
A coordenação do PNI no município de Maceió informa que seguirá, até o dia 30 de setembro, com a aplicação da segunda dose da vacina contra o HPV nas unidades de saúde e nas escolas públicas e privadas da capital, visando atingir ou superar a cobertura vacinal obtida com a primeira dose, aplicada em março deste ano, quando foi alcançado o percentual de 90,29% de meninas na faixa etária de 11 a 13 anos.

Fonte: Ascom/SMS

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

RESPOSTA DO SINDAS-AL À DECISÃO DO TJ-AL QUE DECLAROU ILEGAL A GREVE DE 53 DIAS DOS ACE


Apesar de não concordar com a decisão do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ-AL) a respeito da compensação das horas não trabalhadas durante a greve de novembro do ano passado, o Sindicato dos Agentes de Saúde de Alagoas (Sindas-AL) informa que os Agentes de Combate às Endemias de Maceió (ACE) vão cumprir a decisão da Justiça. Segundo o TJ, após votação, realizada ontem (9), a maioria do pleno decidiu pela ilegalidade da greve.
 
O Sindas-AL considera a decisão da Justiça injusta. O pleno do TJAL deve observar que as condições de trabalho tanto dos ACE quanto dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) são precárias, resultado da falta de apoio do Município. Princípio que foi o pavio para deflagração da greve. Tanto é verdade que os casos de dengue continuam aumentando e o TJ deveria atentar para isso.

O descaso do Município de Maceió para com os agentes de saúde é tamanho que, por exemplo, faltam larvicidas e há mais de 1 ano falta veneno de combate aos roedores. Com isso, a população é a maior prejudicada a partir do momento em que a administração púbica deixa de dar suporte aos trabalhadores.

Tudo deve ser tomado em conta pelos desembargadores antes de uma decisão como a de ontem para que Maceió não sofra uma punição maior no futuro por falta de saúde.

A maioria do pleno não foi justa, pois com essa decisão aplicou duas punições aos agentes de endemias: uma pela carência de saúde em Maceió e outra por trabalhar mesmo sem as devidas condições de trabalho.

O Sindicato dos Agentes de Saúde de Alagoas informa que vai se reunir com a equipe de administração de Maceió para negociar a compensação das horas de trabalho. E que também será agendada uma assembleia para informar toda categoria sobre o resultado da reunião e quanto à decisão do TJ.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Vacina contra dengue tem eficácia de 60,8%, mostra pesquisa


No Brasil 3.550 crianças e adolescentes entre 9 e 16 anos das regiões Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste foram vacinados


Depois de 20 anos em desenvolvimento, a vacina contra a dengue em estágio mais avançado no mundo chegou à etapa final mostrando eficácia de 60,8% contra os quatro sorotipos da doença. Outro resultado é que entre as pessoas que foram vacinadas e, mesmo assim, tiveram  dengue, houve redução de 80,3% no número de internações com relação a quem não foi imunizado.
Segundo Sheila Homsani, gerente do Departamento Médico da Sanofi Pasteur, laboratório responsável pela vacina, o estudo está concluído e agora os dados serão consolidados para o pedido de registro à Agência Nacional de Vigilância Sanitária, para que possa ser comercializada no Brasil e, eventualmente, ser incorporada à rede pública. A expectativa é que demore cerca de um ano para o registro sair.
Em etapa anterior, feita na Ásia, a pesquisa havia mostrado eficácia de 88% contra o tipo hemorrágico da doença, considerado o mais grave. Agora, na última etapa, a vacina foi testada no Brasil, em Honduras, no México, na Colômbia e em Porto Rico. No Brasil 3.550 crianças e adolescentes entre 9 e 16 anos das regiões Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste foram vacinados.
A imunização e o acompanhamento foram feitos de junho de 2011 a abril de 2013. O laboratório, no entanto, vai acompanhar por mais cinco anos os imunizados.
Segundo Sheila Homsani, os resultados estão acima das expectativas da Organização Mundial da Saúde, que pretende reduzir em 50% a mortalidade por dengue até 2020.
A dengue é considerada questão de saúde pública brasileira e é doença endêmica de cerca de 100 países. De 1º de janeiro a 19 de julho deste ano, o Ministério da Saúde notificou 688.287 casos da doença e 554 mortes.
Fonte: Agência Brasil

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Atenção trabalhadores e trabalhadoras: “Não caiam no conto do vigário!”


Diga não à pelegagem! O movimento grevista dos sindicatos pelegos que compõem a Mesa de Negociação ou “Mesa de Politicagem”, junto com a Prefeitura de Maceió, iniciou uma greve sob o argumento de cobrar os pagamentos de direitos trabalhistas como as progressões salariais de 5%. O Sindicato dos Agentes de Saúde de Alagoas (Sindas-AL) alerta: “Não caia no conto do vigário!”.

“Movimento grevista é importante, mas esse movimento de greve que está aí não representa os trabalhadores. Eles representam os interesses de grupos políticos. Estão defendendo apenas os interesses do próprio bolso”, publicou o secretário-geral do Sindas-AL, Maurício Sarmento, em sua página numa rede social.

O Sindicato dos Agentes de Saúde de Alagoas (Sindas-AL) volta a alertar os trabalhadores e as trabalhadoras Agentes de Combate às Endemias e Agentes Comunitários de Saúde para não se iludirem com as pautas de reivindicações desse conluio. Uma greve de verdade com o apoio de toda a categoria ainda está por vir!

A luta não é apenas por um reajuste salarial de 5%, estão esquecendo de pautas de maior envergadura e relevância para nossa categoria. Parafraseando uma das cenas do filme “O Alto da Compadecida”, inspirado na obra de Ariano Suassuna: “Cortaram a vaquinha da irmandade e os 20% do bispo!”.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

AS CHAGAS DA SAÚDE

A Gazeta publicou no domingo (24) o segundo caderno especial sobre a saúde em Alagoas que mostrou a rotina sofrida e o tratamento desumano dado a usuários do SUS


Por Maurício Gonçalves, repórter da Gazeta de Alagoas (matéria publicada na edição de 24.08.14 - Especial sobre a saúde em Alagoas)


Foto: Marcelo Albuquerque/Gazeta de Alagoas


A grade do minipronto-socorro do Benedito Bentes separa dois mundos, entre a vida e a prisão do SUS. Do lado de cá, somos nós, fora do jornal. Do lado de lá, os olhos do paciente exausto refletem o sofrimento de anos de luta contra a doença mal tratada que mutila aos poucos. Vão-se os dedos, os pés, as pernas e o paciente vai desaparecendo. Ficam os anéis da corrupção, negligência, burocracia e de tudo o que não presta na rede pública de Alagoas. O destino pode ser a cadeira ao lado, vazia, onde o enfermo invisível também sumiu, perdeu-se nas estatísticas e virou etiqueta de saco cadavérico.

Encostados na parede, ao fundo, os usuários no banco de espera são vítimas ansiosas para denunciar crimes. Parecem não se identificar “temendo represálias”. A grade serve de venda para o homem de camisa vermelha, o rapaz de cabeça abaixada não é reconhecido. Eles vão acusar ladrões da saúde alheia, como a hipertensão, vermes variados e a diabetes que deteriora membros do corpo. São males fáceis de identificar (quando se consegue fazer exames), os bandidos são reconhecidos, mas o sistema é bruto e dá as ordens: “o doente que sofra atrás do xadrez da impunidade”.

Delitos corriqueiros, patologias simples, facilmente preveníveis, tomam corpo e se transformam em doenças graves, crimes hediondos. Com o abandono da atenção à saúde básica, uma lombriga que não se evita por falta de agentes de saúde da família, nem é combatida no posto da comunidade, pode virar uma complicação intestinal grave. Sem atendimento ambulatorial nem hospitalar no interior, o caso piora e vem para a vala comum do HGE, em Maceió, mas retorna ao município de origem e agora depende de uma vaga no temido Cora (Complexo Regulador Assistencial). É um balaio de estupidez que custa muito mais caro aos cofres públicos.

Não existe muita lógica nisso, mas para tentar entender um pouco como funciona o SUS em Alagoas, a Gazeta acionou uma equipe de repórteres para percorrer unidades de saúde em vários pontos do estado, relatar a rotina sofrida dos usuários, conversar com profissionais, agentes de fiscalização e gestores que atuam na área. O resultado dessa investigação jornalística é assustador, e começou a ser revelado num caderno especial, publicado domingo passado.

Na edição de hoje, o caderno de Saúde está separado em quatro blocos de assuntos para guiar os leitores neste mergulho ao poço sem fundo em que se tornou a saúde pública. O primeiro bloco traz matérias sobre hospitais e UPAs (Unidades de Pronto Atendimento). O segundo trata da problemática saúde básica. No bloco 3, o foco são as denúncias e personagens. Já o quarto bloco traz entrevistas reveladoras com o tema, debates e análises.

Ao ingressar em cada um desses blocos, o leitor vai perceber que os males são enganchados uns aos outros, como uma grande teia de aranha com insetos presos debatendo-se em vão. Os pacientes da foto acima esperam para entrar em um minipronto-socorro que sempre está lotado, enquanto a UPA do mesmo bairro, construída em área de 1.220 m², continua fechada, sem previsão para inaugurar por falta de profissionais e equipamentos.

A estrutura metálica da UPA de Maragogi enferruja próximo à beira-mar, com equipamentos abandonados, sem nunca ter realizado um atendimento. Com ordem de serviço assinada em 2010 e orçamento de R$ 2,4 milhões, a obra só foi concluída este ano, mas segue sem a menor previsão de quando abrirá as portas. Sem UPA ou hospital, as pessoas se espremem durante horas para ter atendimento em uma unidade que nem aparelho de raio X tem.

Qual besouros e moscas, os pobres alagoanos não conseguem se desgarrar de certos fios pegajosos. A rede do SUS é uma armadilha, do Sertão ao Litoral Norte do Estado. Em Maragogi, a saga da usuária Elane Barros para sobreviver começou com uma dor estranha no abdômen. Sem posto médico no Sítio Ponta de Mangue, ela foi buscar atendimento na Unidade de Saúde da Família do povoado Peroba. Foi encaminhada para a unidade mista da cidade (uma espécie de ambulatório misturado com hospital). Já com suspeita de cálculo renal, esperou 15 dias pelos exames e contraiu infecção urinária. Assustada, só teve um jeito para escapar da teia: saiu de Alagoas rumo ao Hospital de Barreiros, em Pernambuco.

Para a dona de casa Neuza Teodósio, a escapatória é mais complicada. O esgoto do Hospital Clodolfo Rodrigues, em Santana do Ipanema, despeja dentro da sua residência, ao ponto de infiltrar no piso e deixar as paredes úmidas. A contaminação desce dos leitos, banheiros, cozinha e lavanderia do hospital direto para a pele, os brônquios e o aparelho digestivo da vizinha infeliz. Assim como a sertaneja, quem mais habita abaixo do ralo do SUS?

Esgoto hospitalar provoca doenças

Por Patrícia Bastos, repórter da Gazeta de Alagoas (matéria publicada na edição de 24.08.14 - Especial sobre a saúde em Alagoas)

Santana do Ipanema – Todo novo, equipado e inaugurado, o Hospital Regional Clodolfo Rodrigues demorou mais de dez anos para funcionar. A expectativa da população de Santana do Ipanema era imensa, já que até o ano de 2010 tinha que viajar a Maceió ou Arapiraca para ter acesso a procedimentos médicos simples. O funcionamento do hospital, no entanto, se tornou um martírio para os moradores do bairro Santa Rita.

O esgoto dos banheiros, a água usada na cozinha, lavanderia e limpeza do hospital escorrem a céu aberto pelas ruas sem pavimentação do bairro. A contaminação provoca doenças e a sujeira está levando famílias a se mudar para longe. Moradores se queixam que são frequentes as ocorrências de diarreia em crianças da região e há também casos de verminoses contraídas pelo contato com os resíduos líquidos.

A desempregada Neuza Teodózio, 58, é uma das vizinhas que mais sofrem. O esgoto escorre em cheio para a residência onde ela mora, que fica em um nível mais baixo do hospital, tornando-se um ambiente insalubre. “Eu só moro aqui porque não tenho condições de ir para outro lugar. Sou uma pessoa sozinha e lutei muito para conquistar essa casa, não posso abandoná-la”, explica Neuza, que sobrevive com a renda do Bolsa Família.

A água servida sai dos fundos do hospital, percorre parte da rua, desce por terrenos baldios e se acumula no muro da casa de Neuza. As paredes ficam úmidas e, pelas infiltrações, o esgoto vai parar dentro da residência. A umidade e o contato diário com a água contaminada levaram a desempregada a desenvolver bronquite asmática, que provocou internação no próprio Clodolfo Rodrigues, em 2012.

“Os médicos disseram que fiquei doente por causa do esgoto e o único jeito de não adoecer mais é saindo dessa casa. É triste, mas ao mesmo tempo é engraçado, pois o hospital que deveria levar saúde, para mim é causa de doença”, pondera.

Neuza Teodózio passa o dia inteiro tentando manter a casa limpa para evitar uma nova crise de bronquite que, além da tosse com muita secreção, provoca também falta de ar. Para evitar a umidade, ela chegou a reforçar as paredes da residência, mas a água começa a minar assim que a cobertura de cimento acaba. A desempregada chegou até mesmo a cimentar uma fileira de tijolos na frente da porta do quarto porque, quando chove, a infiltração é tanta que a água invade até mesmo o aposento.

“O sofá que eu tinha já esculhambou porque a madeira apodreceu por ficar molhada direto. Já perdi também o armário da cozinha e o guarda-roupa por causa da umidade das paredes. Só tenho esses agora porque vizinhos me deram”, relatou, explicando que, agora, para evitar que os móveis se estraguem, passou a deixá-los longe das paredes e suspensos por tijolos.

Neuza reclama ainda que, por causa da infiltração, não consegue manter a casa limpa e sabe que corre o risco de adquirir outras doenças pelo contato com a água contaminada. “Quando o pessoal da Vigilância Sanitária esteve aqui, disse que eu não deveria pegar o pano de chão que uso para enxugar as poças com a mão ou com os pés descalços, mas não tem como limpar de outro jeito”, declarou a moradora, que recentemente pediu socorro à Defensoria Pública.

INSUPORTÁVEL

A vizinha de Neuza, Maria Hilda da Silva, 71, não tem a casa invadida pelo esgoto, mas se preocupa com a neta, que está fazendo tratamento contra uma bactéria contraída pelo contato com a água contaminada. “Quando a gente fez a consulta com ela no hospital, o médico falou que o germe entrou pelo pé. A gente não deixa que ela fique descalça de jeito nenhum, mas acho que ela pode ter pisado nessa água suja sem querer”, contou, dizendo que, antes, a menina já havia sofrido alguns episódios de diarreia.

“Além do risco de ficar doente, o que mais incomoda é o mau cheiro. Quando o sol esquenta é difícil ficar do lado de fora e tem que trancar porta e janelas para o cheiro não entrar dentro de casa”, reclamou.

O cheiro ruim, aliás, é a principal reclamação dos moradores do bairro Santa Rita. Eles se queixam que o fedor atrapalha as refeições e até mesmo o sono. “Mesmo com as portas fechadas, não tem como impedir o cheiro de entrar. Às vezes, a gente perde até o apetite porque, na hora em que vai colocar a comida na boca, o fedor entra pelo nariz”, afirma Gileuza Ramalho.

Em um terreno próximo, existe uma placa: “Vendo barato ou troco”. Mas nunca apareceu ninguém querendo comprar. Segundo Gileuza, explicações já foram solicitadas ao hospital, reportagens denunciando o problema já foram feitas, e nada mudou até agora. “O hospital diz que a Casal é que deve resolver o problema, mas ninguém faz nada. Tem horas que nem acredito que esse problema vai ser resolvido um dia”, lamentou.

VIA-CRÚCIS

Agências de notícias do Sertão trazem, principalmente nos fins de semana, informações sobre acidentes ocorridos na região em que as vítimas são encaminhadas para o Hospital Regional Clodolfo Rodrigues. Em vários casos, o relato complementa que a vítima foi posteriormente transferida para a Unidade de Emergência (UE) do Agreste, em Arapiraca.

Casos considerados simples também são transferidas para o hospital de Arapiraca. A dona de casa Maria José dos Santos, 52, que mora no bairro Santa Rita e fez reclamações em relação ao mau cheiro exalado do esgoto do hospital, relatou a via-crúcis percorrida quando teve uma crise de artrose, há cerca de um mês.

Com dores fortes e rigidez nas articulações dos joelhos, ela foi até o Clodolfo Rodrigues acompanhada da vizinha, Gileuza Ramalho. “Ela não conseguia andar direito e sentia muita dor, mas outras pessoas passaram na frente dela, na hora do atendimento”, relata Gileuza que, devido à preocupação, pediu a um médico que passava pela recepção da emergência do hospital – a mesma que traz a fachada de UPA 24 horas – que atendesse a sua vizinha.

“Falei para o médico que ela estava sentindo muita dor e sabe o que ele disse? Que ninguém morre de dor, porque se dor matasse não sobrava nenhuma mulher que tivesse filho, pois morreriam tudo no parto. Isso não é postura de médico. A gente é pobre, mas não merece ser tratado desse jeito”, reclamou.

Maria José conta que chegou ao hospital por volta das 18 horas e só tomou a medicação para a crise de artrose às 12 horas do dia seguinte. “Só fui atendida no hospital perto das 10 horas da noite e aí me disseram que eles não tinham o remédio que eu precisava. Era quase meia-noite quando me colocaram em uma ambulância para Arapiraca e me levaram para a Unidade de Emergência, mas não me atenderam porque lá só cuidam de caso de trauma e não de doença, como era o meu caso”, relatou.

Depois de passar mais algumas horas de espera e sentindo dor, Maria José foi finalmente transferida para o Hospital Chama, onde tomou a medicação. “Fui liberada para voltar para casa meio-dia. Se tivesse o remédio no hospital de Santana (onde havia chegado 18 horas antes) e se eles tivessem me atendido rápido, na noite anterior estava em casa”, declarou.

O OUTRO LADO

O diretor do Instituto Pernambucano de Assistência à Saúde (Ipas), Marco Calderon, que administra o Hospital Clodolfo Rodrigues, explica que a quantidade de transferências de pacientes para outras unidades hospitalares é pequena em relação aos atendimentos realizados. Segundo ele, o hospital atende cerca de dez mil pessoas por mês, metade em casos de emergência e o restante no atendimento ambulatorial. Já a quantidade de transferências, para a Unidade de Emergência do Agreste e para o Hospital Geral do Estado (HGE), é menor que duzentas.

“Todos os meses, a quantidade de transferências fica em torno de 180 e eu tenho, no meu gabinete, relatórios com a justificativa para cada um desses casos. Não existe recusa de atendimento ou preguiça, até porque atendemos uma região com cerca de 520 mil habitantes de quase 30 municípios do Sertão, e ainda pacientes que vêm de cidades de Pernambuco e de Sergipe, que fazem divisa com Alagoas. Temos UTI, atendimento ginecológico e obstétrico, e somos referência em cirurgia buco-maxilo facial”, afirmou.

Calderon justifica que as transferências acontecem porque o Clodolfo Rodrigues não dispõe de médicos com especialidade em cardiologia e neurologia no quadro de profissionais. “Mas fazemos muito com os recursos que recebemos. Enquanto a Unidade de Emergência chega a receber R$ 8 milhões por mês, o repasse do Clodolfo Rodrigues é pouco mais que um terço desse valor. Nosso contrato não sofre reajuste desde 2010, quando o hospital abriu as portas, e nós temos uma UCI (Unidade de Cuidados Intensivos) funcionando desde março, mas não recebemos recurso nenhum para ela”, declarou.

Os repasses do Clodolfo Rodrigues são de R$ 517 mil da União, R$ 220 mil da prefeitura e ainda pouco mais de R$ 1,4 milhão provenientes do governo estadual. O total de R$ 3,1 milhões mantém uma estrutura com 600 funcionários, entre eles 80 médicos, 166 leitos, UTI adulto, UCI, consultas ambulatoriais e exames de média e alta complexidades.

Em relação ao esgoto do hospital que corre pelas ruas do bairro Santa Rita, Marco Calderon afirma que denúncias já foram levadas às esferas da Vigilância Sanitária municipal e estadual, e que o Hospital Clodolfo Rodrigues não pode fazer mais do que já faz atualmente.

“Por mais que isso possa soar estranho, o esgoto não é um problema nosso. A Casal firmou um convênio com a prefeitura se comprometendo em ligar o hospital à rede de esgoto, mas essa obra sequer foi iniciada. Da nossa parte, caminhões fazem o desgotamento da fossa, diariamente, mas, como se pode ver, isso ainda é insuficiente. Gastamos R$ 11 mil por mês com um serviço que a Casal deveria fazer”, argumentou.